Economia

Venda de materiais de reparos domiciliares cresce na pandemia

Postado em: 25-02-2021 às 09h00
Reparos e reformas domésticas trouxeram resultados positivos para o setor | Foto: Reprodução

Igor Afonso

A pandemia de Covid-19 afetou a vida dos brasileiros de inúmeras formas, principalmente, no que diz respeito ao que acontece dentro de casa. Com grande parte da população trabalhando em sistema home office ou de forma híbrida, o investimento em reformas também registrou uma alta, visto que houve uma busca maior por adaptações nas residências para torná-las mais confortáveis e funcionais.

As tendências das reformas dentro de casa trouxeram uma nova perspectiva de mercado. Segundo o Diretor Central de Compras da Leroy Merlin, Adriano Galoro, os primeiros meses de pandemia foram ao mais expressivos nas vendas de materiais de pequenos reparos. “No começo da pandemia vimos um aumento da venda de itens como tintas e de pequenos reparos. Depois pudemos reparar em uma maior demanda por produtos da gama ‘Faça você mesmo’, as pessoas passaram a querer inovar e ocupar o tempo com melhorias para casa”, pontuou.

“A pandemia reforçou bastante as atividades ligadas a casa, pois, as pessoas que passaram a ficar mais tempo em seus lares sentiram uma necessidade de torná-los lugares ainda mais funcionais e que pudessem ser utilizados de diversas maneiras. Foi natural que algumas coisas, que incomodavam as pessoas dentro de casa, passassem a ser ainda mais notadas e o desejo de mudá-las crescesse, por isso, muita gente fez alterações em suas residências desde março do ano passado, e vários deles arriscaram projetos de faça você mesmo”, enfatiza o diretor.

Houve um crescimento também, na venda de materiais para reformas. Eduardo Marra, subgerente comercial da Pinheiro Ferragens, avalia que com as pessoas passando mais tempo em casa, houve uma demanda grande na busca por materiais de construção pois “as pessoas viram a necessidade de aumentar o conforto ou, até mesmo, de antecipar aquela obra que as vezes nem estava programada no momento”. “As vendas aumentaram muito, esses materiais como o vergalhão, a malha para piso e até mesmo os materiais de serralheria, para reparo ou fabricação de um portão ou telhado colonial, cresceu bastante”, ressalta.

Na empresa, foi constatado que o maior movimento foi registrado entre setembro e outubro de 2020. De acordo com Eduardo, houve um aumento de 40% nesses meses quando comparados aos meses anteriores do mesmo ano e em 2021, a empresa constatou que a performance de 40% a mais nas vendas, continua.

Em outra perspectiva, o país fechou 2020 com um dos melhores resultados de vendas no mercado imobiliário dos últimos anos. Esse retorno positivo foi desencadeado pelos juros baixos para financiamento junto com a queda no rendimento de aplicações financeiras. Como resultado, houve o disparo nas buscas por terrenos durante a pandemia, consequentemente, o número de construções de residências também subiu.

"As moradias estão sendo mais valorizadas e isso é muito bom. Tivemos uma ressignificação do que é ter uma casa própria. Agora, vemos que a busca por um espaço amplo tem sido um pré-requisito bastante procurado por uma parcela significativa da sociedade", comenta Janine Brito, CEO da Pinheiro Ferragens, empresa referência em Brasília para materiais de construção.

Esse incremento imobiliário, refletiu na alta da construção civil logo no início deste ano. De acordo com os dados apresentados pela Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o segmento de materiais de construção é um dos que mais cresce desde março de 2020, com uma variação positiva de 24,1%.

Geração de emprego

Os resultados do setor não foram positivos somente para as empresas do ramo, mas para quem estava desempregado e em busca de uma oportunidade. "Nosso setor visualiza um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4%. É um momento positivo e que, além de gerar moradias, também proporciona empregos para a população", pontua Janine.

Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontou que a construção civil contratou 157.881 mil de janeiro a novembro de 2020. O setor foi considerado o segmento que mais gerou vagas formais de trabalho. (Especial para O Hoje) 

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